terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os nossos representantes


"Ao menos 59 dos 513 deputados federais que tomam posse nesta terça-feira (1º/02/2011) chegam à Câmara na condição de réus em ações penais, ou seja, respondem a processos nos quais são acusados de crimes em 61 tribunais, entre eles o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).Juntos, os 59 deputados do levantamento deste ano respondem a pelo menos 92 processos – em alguns casos, o deputado é acusado pelo Ministério Público por mais de um crime. A maioria das acusações se refere à administração pública, como crime contra a Lei de Licitações, peculato (quando o funcionário público se apropria de bens ou valores públicos) e corrupção. Há ainda casos de crime contra o sistema financeiro, crimes eleitorais e até crimes contra a pessoa, como homicídio e lesão corporal."
Fonte: G1.
No que pese existir em nosso ordenamento jurídico o princípio da presunção de inocência, ou seja, de que ninguém será considerado culpado até a decisão da sentença trasitado em julgado, pelo menos esses 59 deputados têm contra si fortes inícios de prática de crimes. E para representar o povo no processo democrático, a questão vai muito além de ser culpado ou não de qualquer crime, para o representante do povo não pode pesar contra si, nem mesmo a suspeita, o indício de cometimento de crimes. A nossa classe política tem que ser honesta e translúcida como o cristal. Um candidato que responde processo criminal já carrega em si a mácula, a nódoa que o incompatibiliza para o cargo público. Além disso, agora com foro privilegiado seus processos "subirão" para o STF e sabe la Deus quando serão julgados....se é que serão julgados!!!
Um simples mortal, que pretende ocupar um cargo através de concurso público, passa, em algumas funções, por uma rigorosa investigação social, onde um simples título protestado lhe tira a esperança de ocupar a vaga, um processo criminal então, nem pensar para as carreiras policiais. Mas para a nossa classe política tudo é válido e além de tomar posse ainda têm foro privilegiado, o que não deixa de ser um certo benefício......vai tentar entender essa nossa democracia!!!!


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nossa Lingua Portuguesa


A degradação da língua portuguesa.

Na última postagem pudemos rir um pouco as inusitadas placas espalhadas por este nosso Brasil. O assunto agora é sério e preocupante, no que pese alguns arautos da lingüística afirmarem que a língua portuguesa está em constante mutação e transformação, e realmente está; é perceptível a todos que essa mutação ou mudança se opera no viés da história, ou seja, a mudança tem sido para pior. É perceptível também o grande abismo entre nossa língua falada e a norma culta; aquela que é exigida nas escolas, nos concursos, e nas redações dos vestibulares, esse distanciamento faz com que ocorra um fenômeno onde percebemos a existência de duas línguas, a falada no dia a dia, nas ruas, com os amigos, e aquela inacessível que lutamos tanto para aprender para passar no vestibular; mas no dia a dia não terá muita valia, exceto aos que gostam de falar um português impecável e são rotulados de pedantes. O português falado no Além-mar não carrega toda essa discrepância entre o “falado e o escrito”, um cidadão português mediano, inclusive as crianças, sabem a língua e empenham-se para empregá-la corretamente; no Brasil temos a regra inversa, porque o idioma não tem um valor cultural e prevalece o menor esforço e descaso. Existe uma forte tendência em aceitar e adotar os diversos estrangeirismos, gírias, modismos; a tolerância a erros grassos é grande. O brasileiro, ao contrário do português, não encara o idioma como um patrimônio cultural a ser zelado, que seu conhecimento representa uma forma de qualificação pessoal, imagina que deve dominar algumas regras para empregá-las na comunicação escrita, enquanto que na fala tudo é liberado e permitido. Até profissionais que fazem amplo uso da comunicação escrita, tais como os advogados, demonstram certa permissividade, sobretudo os profissionais de menor idade, os correios eletrônicos, as mensagens instantâneas, o memorando, o aviso, a placa do comércio, todos possuem uma informalidade grande, ao ponto de permitir erros crassos; revelando assim, a incapacidade do brasileiro médio em redigir algumas linhas com um mínimo de correção, comoseria de esperar em pessoas alfabetizadas.

Certa corrente no Brasil enaltece o coloquial, tacha de preconceituosos o purismo idiomático e o padrão culto da língua. Mas há que se preservar a origem e o valor cultural do idioma pátrio, que de fato, muda, se transforma. Mas transformação não é sinônimo de degradação e decadência.

Tudo isso remete ao poema “Língua Portuguesa” de Olavo Bilac, que tem como primeiro verso:“Última flor do Lácio, inculta e bela”. Última flor é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam e a mutilam (falando e escrevendo errado), mas que, ainda assim, continua a ser bela.