quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Minha professora e o animal racional


             Quando eu era criança, a professora de ciências nos ensinava que o homem era um animal racional, animal que evoluiu, situou-se no topo da evolução, dominante, perfeito o ápice da teoria da evolução, superior as demais espécies existentes na terra. Sempre cresci com esse conceito – do homem animal racional e inteligente.
            Um dia agente cresce e percebe que aquilo que aprendíamos nas aulas de ciência não passava de uma grande bobagem, crescemos, passamos a entender conceitos um pouco mais complexos e aprendemos a fazer reflexões sobre o que é racionalidade?  O que é evolução?  Filosofamos sobre a natureza humana e descobrimos que a professora, gorda, lenta e ranzinza  que nos ensinava aquelas coisas estava completamente equivocada. (há ainda muitos defensores ferrenhos do modelo antigo de educação, mas isso é outra história).
            Não conheço no reino animal, selvagem, nenhum ser que mata por prazer, (se os senhores biólogos de plantão puderem mencionar algum, ficarei grato), sempre que um animal mata ou é para se alimentar, para atacar um possível agressor, proteger suas crias, ou seu território, ou seja, o animal faz isso para garantir a sua sobrevivência – O animal racional mata por prazer!
            Os animais na natureza não destroem seu habitat, não derrubam árvores para fazer tamborete nem pasto, não poluem os rios nem fazem buraco na camada de ozônio – O animal evoluído faz tudo isso e muito mais.
            Os leões, leopardos, crocodilos, zebras, gnus, búfalos, avestruzes, galinhas marrecos, ornitorrincos e demais seres que o Noé conseguiu colocar em sua arca. (deve ter sido uma arca enorme) não gastam bilhões construindo armas para dizimarem-se, enquanto seus pares morrem de fome, na verdade eles não têm e  nem precisam ter dinheiro para gastar – O homem inteligente faz isso.
            As galinhas, os perus, cachorros, gatos, patos e macacos não acreditam em um Deus, O homem racional inventou um, acredita nele, mata, furta, rouba, extorque, faz guerra, expulsa povos de suas terras, tudo isso em nome Dele e, ainda diz “eu sou a imagem e semelhança de Deus”.
                        Apesar de tudo isso, de ser inocente de não contribuir para a recessão econômica mundial nem invadir terras produtivas, o animal irracional ainda sofre, é perseguido, maltratado, morto, comido, processado para virar presunto ou hambúrguer, salsicha e casaco de pele é caçado por esporte, domesticado e treinado pelo homem inteligente.
            Poxa professora, a senhora me tirava do jogo de pião no pátio da escola me levava para a sala para dizer isso? Acho que a senhora apesar se ser um animal, não foi muito racional!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Assassinato da lingua portuguesa, um crime que não tem pena, mas deveria ter!


       A Flexibilidade da língua escrita diante dos seus preceitos formais se dá, em maior grau, em função da popularização da Internet. Hoje em dia escrevemos muito mais que antes, blogs, Messenger, redes sociais, etc. Passamos cotidianamente a nos comunicar pelo meio escrito com mais freqüência e com isso trouxemos a flexibilidade da comunicação falada popular, mais descompromissada e que outrora era usada exclusivamente na fala, para a comunicação escrita. A verdade é que basta percorrer algumas paginas de redes sociais para ver que a escrita está cada vez mais perto da fala, os vícios, neologismos, gírias, abreviações inexistentes e pequenos erros que eram tolerados na comunicação falada no ambiente íntimo e privado, estão agora contaminando a linguagem escrita.

    Para nós o idioma não tem a mesma carga cultural que tem para os Portugueses, falantes originais da língua, para o povo brasileiro a língua é um mero instrumento de comunicação que serve exclusivamente para passar uma mensagem, seja de que forma for. Em Portugal a preocupação em se preservar o idioma, em falar com clareza e respeitando as normas cultas é muito mais acentuada em todas as classes sociais.

     A idéia  de defender que a fala e a escrita devem ocorrer sob os auspícios da norma culta gera polêmica. Sempre haverá alguma discussão entre diversos representantes de algumas correntes que circulam pelo Brasil, os lingüistas apregoam que o importante é se comunicar, que até mesmo os erros têm valor sob o aspecto cultural; do outro lado os gramáticos, tradicionalistas que zelam e cuidam dos princípios basilares que sustentam nosso idioma valorizam a normatização. A grande verdade é que no Brasil funciona mais ou menos assim: Se estou me preparando para algum exame, um concurso público, uma vaga para emprego, ou se vou prestar vestibular, então me preocupo com a norma culta, na Internet, mandando um e-mail, me comunicando com amigos e vizinhos, pouco importa. Esse é mais ou menos o cenário, é o que pensa a maioria dos falantes do português, sobretudo os jovens.

     A língua portuguesa é cheia de regras, de normas absurdas, para que tanta regra sem sentido? Temos de decorar esse monte de coisas, etc. Quem nunca escutou esse tipo de comentário? Principalmente entre os jovens? Ocorre meus nobres, que desde que o homem saiu da caverna, que adquiriu um pouco de inteligência (se é que adquiriu) e passou a se organizar em sociedade, ele criou e cria regras, existem regras para as relações comerciais, profissionais, leis, decretos, códigos de ética profissional. Para quem gosta de futebol, pergunto - o futebol também não tem regras? O Tênis o Judô a natação o vôlei e o basquete ou qualquer outro esporte? Dentro da sua casa também não existem regras? No seu trabalho, no seu clube, na sua academia de ginástica, no seu bairro, em tudo isso não há regras? Tudo não está normatizado e regulado? Então porque criticam as regras da língua portuguesa? Ninguém quer infringir as normas do Código Penal para não ir para a cadeia, mas todos querem infringir as normas do Português.

    Popularmente se diz que um dos idiomas mais difíceis de aprender é o chinês; Ora, vá à china e verá crianças de 3 ou 4 anos falando chinês. Então se uma criança dessa idade consegue falar um idioma tão difícil porque é que aqui no Brasil agente insiste um falar e agora em escrever errado? Porque o MEC adota um livro para o ensino nas escolas defendendo que o idioma chulo também é válido? Será que o MEC não acredita no potencial dos brasileiros em aprender as regras do português?

      Se algum professor de português se der ao trabalho de analisar meu texto, certamente poderá encontrar algum deslize semântico ou gramatical, ou vários, ao menos estou me esforçando para cumprir com minha obrigação, o que precisamos é deixar de sermos medíocres e parar com tantas alegações cretinas (que diga-se de passagem, nós brasileiros gostamos muito de fazer) e passar a entender que tudo gira em torno de regras, inclusive a Língua Portuguesa.  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Porque eu não acredito no inferno.

“Você já viu o vento? Mas sabe que ele existe não sabe? Então, assim é Deus, como o vento, você não vê, mas sabe que existe”. 

Domingo passado tive que escutar essa profundíssima afirmação de um senhor que batia a minha porta. É realmente uma tarefa árdua, primeiro porque não vale à pena adentrar numa discussão desse nível. Segundo, a amplitude mental de quem faz tal afirmação pueril, é tão reduzida que não conseguirá abstrair idéias mais complexas, cuja compreensão se faria necessária para adentrar em um tema com tal envergadura, de natureza filosófica inclusive. 
 Freqüentemente sou confundido com Ateu, justamente pela falta de amplitude mental dessas pessoas que sequer sabem o que é o ateísmo, ser cético é diferente de ser ateu, acredito em Deus, mas não acredito no Deus e seus princípios absurdos pregados por essa turba de religiosos que infestam nossa orbe. Das mais infantis e pueris está a idéia do inferno e do diabo, não é preciso dizer que o diabo é um ser mitológico, deturpado e caricaturado para exercer o papel de instrumento de dominação, sem esses instrumentos de imposição de medo e dominação nenhuma religião se sustentaria, qualquer criança sabe disso. Também não é necessária nenhuma filosofia profunda, nem lógica apurada para ver que a idéia do inferno não se sustenta sob o rigor da racionalidade.

 1 - A existência do inferno pressupõe que ele tenha sido criado por Deus, do contrário ele não seria criador de todas as coisas. 

2 – A existência do diabo também pressupõe que ele tenha sido criado por Deus, já que ele é o criador de todas as coisas, essa é uma idéia elementar que até mesmo os crentes puderam perceber que não havia lógica nessa sustentação, logo, desenvolveram a teoria que o diabo era um anjo de luz (lúcifer) que decaiu, um anjo que virou demônio. Ora, essa teoria também não se sustenta porque contraria a onisciência de Deus. Deus como sabedor de todas as coisas, teria de saber que lúcifer decairia. Do contrário estaríamos negando a característica de Deus de que “tudo sabe” e “tudo vê”. Com lúcifer ou sem lúcifer, temos que admitir que Deus criou o diabo, ou criou o diabo propriamente dito, ou criou lúcifer sabendo que ele viraria o diabo. Não sendo assim então ele não é criador de toadas as coisas, ou então não é onisciente. 

 3 – Alguns crentes argumentam que Deus não teria como saber que lúcifer decairia porque lúcifer tinha o livre arbítrio. Ora isso é possível sim, mas aí teremos que considerar relativizar a onisciência de Deus, não pode existir um “saber tudo” relativo, se for relativo já não é um “saber tudo”, logo Deus não seria onisciente. 

 4 – A existência de um ser com poder igual ou semelhante ao divino, sendo ou não esse ser criado por Deus, já causaria outro problema lógico. Deus deixa de ser onipotente. Se Deus não pode vencer o diabo, então seu poder não é pleno, ele não é o “todo poderoso”. 

 5 – Alguns crentes afirmam que “Deus permite que o diabo aja para por o homem a prova, para que o homem tenha o livre arbítrio”. Outra afirmação pueril, Qualquer pai ou mãe afasta seus filhos de pessoas ou influências negativas, afastamos nossos filhos do mal a qualquer custo, e perceba que somos humanos e imperfeitos, insignificantes diante do criador, imaginem Deus, sendo perfeito como agiria. Só há duas alternativas, ou Deus não pode com o diabo, ou se pode e permite que ele exerça seu poder, então é omisso. 

 6 – A idéia de que o homem pode ser condenado eternamente ao sofrimento do inferno é uma nítida, clara, límpida e cristalina prova desse nefasto instrumento de dominação através do medo, o cristianismo não pode mais prender, banir, torturar, levar a fogueira, decapitar ou torturar ninguém, então passou essa tarefa para o diabo, não aqui e agora, mas num futuro próximo. A idéia é mais ou menos assim, ou você me obedece, respeita minhas ordens, me da 10% de tudo que você ganha, (já que pretensamente falo em nome de Deus), ou o vai para o inferno. Ninguém ousa questionar o pastor ou padre, porque foi levado a crer que, se assim agir, estará na verdade questionando Deus, e se questionar Deus vai para o inferno. Que brilhante lógica de dominação. Eu e você, que temos filhos, somos imperfeitos, humanos, cheios de vícios e falhas, jamais permitiríamos que um filho sofresse, evitaríamos se pudermos evitar, jamais condenaríamos um filho a uma pena eterna mesmo sendo imperfeitos e cruéis como somos. Mas Deus que é perfeito não liga para os seus filhos, deixa-os queimar num tormento sem fim e não tem nenhum remorso disso. E olhe que me ensinaram que Deus era justo e bom. Imaginem se não fosse. 

 7 – Por fim, quando não encontram mais argumentos infantis para apresentar, disparam. “o diabo quer incutir na mente dos homens a idéia que ele mesmo não existe” Quando chega nesse nível do debate, temos de dar uma gargalhada e mudar de tema, afinal o crente deve ter algum assunto que ele domine de verdade não é? Nem que seja futebol.

 A idéia, traçada de forma sucinta é mais ou menos essa, não cabe aqui num blog fazer um tratado de teologia, ou seria demasiado enfadonho, ou não teríamos condições intelectuais para tanto, de qualquer forma a nossa lógica, nossa racionalidade cotidiana já é suficiente para desbaratar essa frágil idéia. Claro que as teorias dos crentes sobre o inferno se desmembram em inúmeros outros detalhes, inclusive amparados pela bíblia (por uma interpretação deturpada dela), quanto mais eles argumentam, quanto mais desmembram sua teoria, mais frágil e inconsistente ela fica. No fundo eles são manipulados, a tal ponto que não conseguem escapar de um círculo vicioso de astúcia e manipulação, não conseguem raciocinar logicamente e caem nas armadilhas dos que querem amealhar dinheiro a custas da ingenuidade alheia. Não dê dez por cento do seu suado salário ou do seu patrimônio a nenhum pastor esperto, nem a nenhuma instituição religiosa porque sente medo do inferno, o inferno não existe. E se eu estiver errado e ele existir....então quem não existe é Deus.