quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

CURSO BÁSICO DE FILOSOFIA (Parte I)

A História da Grécia.
Pré-Homérico
séculos XX-XII a.C.

Sob o ponto de vista geográfico , podemos dividir o território grego em três regiões :
Grécia Continental , Grécia Peninsular e Grécia Insular .
O relevo grego é montanhoso e dificulta as comunicações internas.
O recortamento do litoral e a presença de ilhas facilitam a comunicação com o exterior .
Os primeiros povos indo-europeus a chegar á Grécia foram os aqueus , que dominaram os primitivos pelágios ,de origem desconhecida. Os aqueus fundaram diversas cidades , como Micenas a mais famosa . Os habitantes de Micenas entraram em contato com a ilha de Creta , surgindo a cultura creto-micênica. Dominaram os cretenses , destruindo Cnossos em 1400 a . C . Avançaram em direção a Tróia , na entrada do Mar Negro .
Os jônios e os eólios foram o segundo grupo a penetrar na Grécia . Integraram-se com os primeiros ocupantes , ampliando a população do mundo Grego. Os últimos a chegar foram os Dórios , por volta do século XII. Os dórios destruiram a civilização creto-micênica , provocando a Diáspora interna (origem dos Genos) e a externa (colonização) .

Período Homérico
séculos XII-VIII a . C

A Ilíada e a Odisséia – obras atribuídas a Homero- são fundamentais para o estudo do Período Homérico.
A Ilíada trata da destruição de Tróia pelos Gregos . Sua figura central é Aquiles .
A odisséia narra as viagens de Ulisses de volta ao seu Reino de Ítaca .
A célula básica da sociedade grega eram os genos .
Todos os descendentes de um mesmo antepassado viviam num mesmo lar. Este grupo de pessoas gozava de autonomia , possuía o seu chefe (pater-famílias ), o seu culto aos antepassados sua administração e sua própria justiça , baseada no costume .
A independência política estava baseada na independência econômica .
A economia baseava-se na administração da casa e a família procurava ser auto- suficiente . Era uma economia doméstica fechada .A propriedade era coletiva e o trabalho também . A desintegração desse sistema gentílico foi provocada por um problema interno : o crescimento da população não acompanhou o crescimento da produção .
O descontentamento ocasionado pela baixa da produção levou ao individualismo e ao afrouxamento dos laços familiares . A repartição dos bens e imóveis completou a desintegração dos Genos .
A desigualdade social , com o surgimento de diversas camadas sociais , foi umas das conseqüências mais direta da desintegração dos genos . Surgiram assim os grandes , os pequenos e médios proprietários ; muitos indivíduos ficaram sem terra , sendo obrigados a trabalhar por um salário miserável ou a mendigar .
O desaparecimento da unidade familiar criou condições para a formação de uma nova unidade política , através da união de tribos e vilarejos . Essa nova união deu origem a Cidade- Estado .
A Diáspora grega foi a colonização grega .
Dentre os fatores que que estimularam a colonização podemos citar :
a marginalização social devido a desintegração dos genos;
marginalização política das classes inferiores nas cidades gregas ;
crescimento populacional ;
diminuição da disponibilidade de terra ;
progresso técnico da navegação e espírito de aventura .
Os colonos mantinham com a metrópole um relacionamento cultural e econômico com as populações nativas , as relações dependiam de circunstâncias , podendo orientar-se pela força , pela persuasão ou pela diplomacia .

Perído Arcaico
séculos VIII-VI a . C

PERÍODO ARCAICO : ESPARTA
Esparta foi uma das primeiras Cidades –Estado a surgir na Grécia.
Em termos sociais Esparta apresentava 3 camadas básicas: os dórios, aqueus e os escravos. Os dórios eram a camada social dominante, eram guerreiros por excelência e recebiam uma educação militar especial. Os aqueus, habitantes da periferia, eram chamados de periecos; suas condições materiais eram boas, mas não tinham direitos políticos. Os escravos eram denominados hilotas. Não eram protegidos pela lei e a sua condição humana era uma das mais miseráveis do mundo antigo .
Na constituição espartana o poder legislativo era exercido pela Assembléia que tinha plenos poderes nas guerras e práticas religiosas. Os Reis executavam as determinações da Assembléia.
Nesse período houve uma guerra travada na Messênia, em duas etapas, provocando mudanças sensíveis na estrutura econômica, social e política de Esparta, por causa do grande número de escravos, que passaram a constituir uma ameaça permanente para os espartiatas. Uma das mudanças foi a divisão nas três camadas sociais básicas: dórios, aqueus e hilotas.
A constituição foi modificada. O poder passou para os gerontes, membros do conselho. Estes consultavam formalmente a Assembléia . O executivo era exercido pelos Reis e pelos éforos ( vigilantes do rei ).
A educação espartana visava exclusivamente o interesse do Estado. Limitava o espiríto crítico através do laconismo ( falar tudo de maneira sintética ) e da xenofobia (aversão a estrangeiros ).Para realizar a educação o Estado selecionava os mais fortes e os mais hábeis. Até os 7 anos as crianças ficavam com as mães; dos 7 aos 12 meninos e meninas recebiam educação cívica; dos 12 aos 17 anos os rapazes recebiam treinamento militar; submetendo-se no fim a provas da kripitia, que lhes permitia tornarem–se cidadãos.
O assassinato sistemático de escravos limitava o seu crescimento, afastando assim os perigos de revoltas. Mas o sistema limitava também o crescimento dos espartíatas. A mulher espartana era muito livre, dedicada ao Estado; a sua função era procriar os filhos e indispensáveis a supremacia do espartíatas.

O PERÍODO ARCAICO : ATENAS

Atenas , tornou-se capital da nova polis.
Era um núcleo situado na planície, a poucos quilômetros do mar e protegido por colinas . Dentre essas colinas se destacava um maciço rochoso de 100 metros de altura, que servia de ponto de refúgio e sobre o qual foi construída a Acrópole, ao mesmo tempo santuário e fortaleza.
No Período Arcaico, as três camadas sociais de Atenas eram formadas pelos eupátridas, georgoi e demiurgos. Os eupátridas eram os grandes proprietários que monopolizavam o poder político. Os georgoi eram os pequenos proprietários de terras pouco férteis das montanhas. Não podendo pagar as dívidas, alguns perdiam as terras tornando-se rendeiros, outros transformavam-se em marginais. Demiurgos eram os indivíduos que ocupavam uma posição intermediária; os artífices e os artesãos.

A EVOLUÇÃO POLÍTICA

A colonização provocada pela primeira Diáspora tinha ampliado os horizontes do mundo grego; o contato dos colonos com a metrópole era cada vez mais intenso; e o mar Egeu se transformou num ativo centro de comércio. Apesar de não ter participado ativamente da colonização, Atenas foi beneficiada devido a sua estratégica posição geográfica, transformando-se num centro distribuidor no meio do Egeu. Como resultado, os comerciantes e artesãos tornaram-se cada vez mais numerosos e iniciaram um processo de ascensão na escala social. E em breve eles começariam a fazer oposição a oligarquia dos eupátridas. Assim , as classes fortalecidas pelo comércio desejavam participar da vida política de Atenas, monopolizadas pelas aristocracias. As camadas mais pobres exigiam a repartição das terras e a limitação do poder aristocrático. Houve uma reforma iniciada pelos legisladores numa tentativa de solução pacífica para o conflito social e político.Dracón codificou a lei, até então oral. Sólon estabeleceu um critério econômico de participação política e aboliu a escravidão por dívida.
Os tiranos apareceram quando as tensões sociais se tornaram mais agudas; eles se aproveitaram das tensões sociais para tomar o poder. Os tiranos governavam em nome das camadas populares. Mas, foi Clístenes que realizou as reformas que implantaram a democracia em Atenas. O direito a participação política foi estendida a todos os cidadãos; a participação tornou-se direta, segundo o critério do sorteio, que tomava por base as 10 tribos políticas. O governo passou a ser exercido então por três poderes : legislativo (conselho e Assembléia ), judiciário e executivo. Foi instituído também o ostracismo, o exílio dos maus cidadãos .

Período Clássico
séculos V e IV a . C

Foi o período das hegemonias e imperialismos no mundo grego .
Começou com uma ofensiva contra os bárbaros persas e só terminou numa guerra fratricida entre os próprios gregos . Os confrontos armados demarcaram a sucessão de uma hegemonia sobre a outra .
A primeira potência dominante foi Atenas , seguida por Esparta e , finalmente , por Tebas .
As guerras pérsicas , projetaram a hegemonia ateniense , essa hegemonia durou até a guerra de Peloponeso , quando começou a hegemonia Espartana .
Seguiu-se um curto período de hegemonia Tebana , até que as guerras enfraqueceram as cidades gregas a tal ponto que nenhuma delas conseguia assumir a liderança do mundo grego .
Esta situação permitiu a intervenção de Felipe da Macedônia .
A guerra de Peloponeso , durou 27 anos e provocou grande enfraquecimento dos Estados em luta .
Atingida pela peste e num esforço desesperado , Atenas tentou uma expedição a Siracusa , perdendo milhares de barcos e homens .
Terminada a guerra de Peloponeso , começou a hegemonia de Esparta , que passou a dominar seus antigos aliados como fazia Atenas .

A CULTURA GREGA

A religião grega não tinha dogmas e o culto podia ser praticado da maneira que os fiéis bem entendessem .Nas orações os gregos pediam ajuda para as atividades práticas e não a salvação da alma .
O número de Deuses era grande; havia bastante semelhança entre deuses e heróis.
A religião grega era antropomórfica, isto é , os deuses tinham forma, defeitos e virtudes humanos ,mas eram imortais .
A origem dos deuses é explicada pelo mito de Cronos que devorava seus filhos. Zeus foi salvo por sua mãe Rea e conseguiu recuperar todos os seus irmãos que, juntamente com seus filhos , formaram o Olimpo .
A criação do homem é explicada pelo mito de Prometeu ; este roubou o fogo de Zeus e criou os homens ; Zeus quis destruí-los com um dilúvio ,mas Deucalião escapou e recriou a humanidade.
Os Deuses habitavam o monte Olimpo , onde se alimentavam de ambrosia , o manjar dos deuses .
Os deuses mais velhos , filhos de Cronos eram : Héstia , Demeter , Hera , Poseidon , Hades e Zeus .
Os deuses mais novos filhos de Zeus , eram : Ares , Afrodite , Apolo , Artemis Hefaístos , Atena , Hermes e Dionísio , o último deus a entrar no Olimpo.
Os grandes Heróis destacados por seus feitos eram : Perseu, Jasão, Teseu , Édipo e Hércules.
As lendas que contam as aventuras e dos deuses e dos heróis são chamados mitos . E o conjunto de mitos forma a mitologia .

O CULTO

O culto era realizado no jazigo da família , no túmulo dos heróis ou no templo , a moradia dos deuses . A prática do culto consistia em orações , libações( derramar vinho , óleo , azeite como oferenda para alguma divindade ) e sacrifícios . o culto da família era tradicional . O pai exercia as funções de sacerdote , realizando o culto em homenagem a Era e a Zeus e mantendo sempre acesso o fogo sagrado .
O nascimento , o casamento e o funeral eram acompanhados de cerimônias sagradas , das quais participavam toda a família . Anualmente havia festas de homenagem aos mortos .
A vida pública das cidade sofria grande influência da religião . Todas as cerimônias públicas eram precedidas por práticas religiosas .
Cada cidade tinha sua festa religiosa .
Em Atenas celebrava-se o culto de Dionísio , acontecimento muito apreciado pela população camponesa. Já as Grandes Dionísicas eram as celebrações urbanas , quando se realizavam os famosos concursos entre os autores dramáticos que deram origem as grandes obras do teatro ateniense .
As Grandes Panatenéias , em honra da deusa Atenas , eram celebradas de 4 em 4 anos , com concurso de música e canto , corridas de cavalo e outras competições esportivas ; finalizavam com uma procissão que percorria a via sagrada , para oferecer á deusa Atena um manto luxuoso . Era a festa mais importante da Cidade-Estado de Atenas .

OS GRANDES SANTUÁRIOS

Havia uma certa unidade religiosa entre os gregos , adoravam os mesmos grandes deuses . Os santuários mais famosos – Epidauro , Delos , Olimpia e Delfos –recebiam multidões de todas as partes da Grécia . Desejosos de conhecer o futuro , os gregos consultavam os deuses nos oráculos . Em Delfos , o deus Apolo falava pela boca da pitonisa , que entrava em transe depois de aspirar certos odores que saiam do meio das rochas .

OS GRANDES JOGOS

Para homenagear os deuses dos santuários , realizavam-se jogos pan- helênicos (que abrange todo o mundo grego ), em número de quatro : ístimicos , neméios , píticos e olímpicos . Os jogos olímpicos eram os mais famosos . Tinham lugar em Olímpia em homenagem a Zeus ; depois de 776 a . C . , passaram a realizar-se de quatro em quatro anos . Durante o período de jogos era decretada uma paz sagra da sendo proibido atacar os peregrinos . Os atletas juravam lealdade entre si , disputando em seguida seis provas: corrida , luta livre , pugilismo , lançamento de dardo , lançamento de disco e corrida de carros .Os vencedores recebiam uma coroa de louros e o privilégio de serem cantados pelos poetas . As mulheres não podiam participar . Os atletas homens em geral não usavam roupa .

OS MISTÉRIOS

A preocupação dos gregos com a vida após a morte explica a grande difusão do orfismo e dos mistérios . Os mistérios eram cerimônias que permitiam entrar em contato coma divindade e conseguir a felicidade eterna . As pessoas mais pobres também podiam entrar nos mistérios .Todos deviam guardar segredo da iniciação recebida.

O TEATRO E FILOSOFIA

Do ponto de vista cultural , Atenas não era superada por nenhuma outra cidade grega . Lá viveram os maiores pensadores e artistas do mundo grego ; e alguns deles da própria humanidade . As atividades teatrais se desenvolveram sobretudo com o culto de Dioniso , durante os concursos que se realizavam em sua homenagem . Cada participante concorria com três peças . A encenação das peças era feita exclusivamente por autores masculinos que usavam máscara e representavam também os personagens femininos .
Os maiores poetas trágicos foram :Ésquilo , que exultou a glória de Atenas e dos deuses justiceiros, Sófocles : suas obras mostram heróis que lutam contra as armadilhas do destino e Eurípides : mais preocupado com os problemas do homem .
O comediógrafo mais importante foi Aristófanes que procurou satirizar os costumes e as novidades da época .
A filosofia grega se divide em antes de Sócrates e depois de Sócrates .
os maiores filósofos gregos foram : Sócrates , Platão e Aristóteles .
O grande poeta grego foi Pindaro , célebre pelas odes aos atletas que participavam dos jogos Olímpicos .

A ARTE GREGA

A arte grega estava profundamente ligada a religião e atingiu seu ponto máximo em Atenas . Havia harmonia simplicidade e equilíbrio e uma decoração que perfeitamente adaptada ao conjunto constituíam as marcas da arte grega . Os trabalhos tinham caráter coletivo sendo construídos em ateliês . Um dos mais belos monumentos construídos pelos gregos foi a Acrópole de Atenas . No trabalho dos ceramistas , também havia perfeição com perfeito domínio da técnica de escultura com cenas expressivas de animais e agrupamento de pessoas . Os templos eram construídos com blocos de pedra talhada , de tal modo ajustados que dispensavam o uso de argamassa . Os templos eram a principal manifestação da arquitetura grega – obedeciam a três estilos : dórico , jônico e coríntio . O legado cultural dos gregos para a humanidade abrange todos os setores da vida humana . Da filosofia ao teatro grego que até hoje vive com suas tragédias cheias de vida .
Também a ciência alcançou grande desenvolvimento entre os gregos : a matemática de Euclides e os teoremas de Tales ou Arquimedes foram incorporados definitivamente ao patrimônio cultural da humanidade .
O conhecimento do corpo humano recebeu grande impulso com Hipócrates .
O regime democrático grego que funcionou com perfeição em Atenas serviu de exemplo para todos os povos . Os gregos também legaram á humanidade o ideal esportivo , que eles desenvolveram nos jogos pan- helênicos , com seus concursos , sobretudo nos jogos olímpicos . Apenas no campo da técnica a contribuição pode ser considerada modesta . Nesse setor , destacaram-se a cultura de vinha da oliveira , da construção naval e na arte da navegação .

CURIOSIDADES

Um terço da população grega morava em Atenas .
Brincar de ioiô , gangorra e saltar carniça era comum entre as crianças da Grécia Antiga .
Para os gregos Terça-feira é dia de azar.
A Grécia Antiga era formada por Estados separados , cada um centrado em torno de uma cidade .
As duas maiores cidades foram Atenas e Esparta .
Em todas haviam casas, prédios do governo , templos e uma praça chamada de ágora , onde as pessoas se encontravam e faziam compras .
No campo os agricultores plantavam cevada para fazer pão e mingau , azeitonas para fazer azeite e uvas para fazer vinho . Também criavam cabras , ovelhas e abelhas .
Os pobres moravam em casas simples . Os ricos tinham casas enormes , com os aposentos em volta de um pátio . Havia cozinha , banheiro com encanamento e quartos separados para os homens , as mulheres e os escravos .
Os rapazes ricos de Atenas iam para a escola pela manhã e á tarde faziam ginástica. As moças ficavam em casa aprendendo a fiar e a tecer .
As oliveiras eram consideradas sagradas pelos gregos antigos , quem cortasse uma delas poderia ser condenado a morte .
Os gregos cozinhavam com o azeite , usavam-no nas lamparinas e até tomavam banho nele . A moeda da Grécia Antiga era o Talento .

HOMERO como educador

Os mitos gregos, recolhidos pela tradição, recebem forma poética e são transmitidos oralmente pelos cantores ambulantes conhecidos como aedos e rapsodos, que os recitam de cor em praça pública.
Dentre eles, destaca-se Homero, provável autor das epopéias Ilíada e Odisséia. A primeira trata da Guerra de tróia e a outra trata do retorno de Ulisses a Ítaca, após a Guerra de Tróia. Não é muito seguro que Homero tenha realmente existido, e pelo estilo dos dois poemas alguns estudiosos julgam que são obras de autores diversos, de diferentes épocas.
Hesíodo, outro poeta que teria vivido por volta do final do século VIII e princípios do VII a.C. produz uma obra com característica já voltada para a época que se inicia, ou seja, a busca da individualidade. Ainda assim, predomina a crença nos mitos.
Na época da aristocracia guerreira, descrita sobretudo nas epopéias de Homero , a educação visa à formação cortês do nobre.
A criança nobre permanece em casa até os 7 anos, quando é enviada aos palácios de outros nobres a fim de aprender, como escudeiro, o ideal cavalheiresco. Também são contratados preceptores, que dão uma formação integral baseada no afeto e no exemplo.
Para os homens gregos as crianças eram educadas para proferir palavras e realizar ações, isto é, para participar da assembléia dos nobres e atuar nas guerras.
No período arcaico, que se segue nos tempos homéricos, e também na época clássica, continua a prevalecer a influência cultural das epopéias na educação. São elas que relatam as ações dos deuses e transmitem os costumes, a língua, os valores éticos e estéticos. Durante anos figuras divinas serviram de modelo de excelência moral e física para jovens gregos.
De início os poemas são transmitidos oralmente e, mesmo com o advento da escrita, ainda são recitados de cor em praça pública, e seus textos oferecem os temas básicos de toda educação escolar.

Referências:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna, 1992.

O Big Brother

Próximo dia 08 de Janeiro entra em ação mais um fenômeno de audiência da Tv Brasileira, e por que não dizer da Tv mundial? O Big Brother Brasil 8 ja desperta ansiedade nos telespectadores.

Mas de onde vem o nome BIG BROTHER? Mais um fenômeno de cooptação do captalismo que "tomou emprestado" o termo de um dos maiores escritores de todos os tempos que levou uma vida para levantar questões essenciais para os direitos humanos, como a liberdade e a privacidade, e de repente alguém dá um jeitinho de transformar seu alerta político em produto de venda lucrativo. Nada contra, mas aproveito o ensejo para postar um pouco sobre a orígem do Big Brother e descrever um pouco sobre o fabuloso escritor que criou o termo, antes mesmo da tv comercial existir.


O Autor:

O ano era 1945, e ainda não haviam cicatrizado no Ocidente as feridas abertas pelos regimes totalitários de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, e de Joseph Stálin, na União Soviética comunista. Foi nesse contexto que o jornalista inglês Eric Blair, que assinava com o pseudônimo George Orwell, publicou uma das obras mais vendidas de todos os tempos: Animal farm, uma alegoria infantil que denunciava a suposta predisposição da humanidade para a violência e como uma camarilha política poderia tomar de assalto o poder em nome do povo. No Brasil, o livro recebeu o título de A revolução dos bichos e, na década de 1970, inspirou o musical Os saltimbancos, de Chico Buarque, já assistida pela terceira geração de crianças. Qualquer brasileiro que tenha menos de 40 anos decerto já cantarolou na escola as músicas dessa peça.
Relembrar tais fatos tem por objetivo afirmar, simplesmente, que cada um de vocês já teve algum tipo de contato com George Orwell e que o verdadeiro pai do Big Brother não é um holandês especialista em exibicionismo na TV; mas sim um jornalista inglês, Orwell, cuja maior preocupação era denunciar o controle do Estado sobre o cidadão. Fez isso em A revolução dos bichos, uma alegoria político-infantil, onde temos as palavras "granja" relacionada à sociedade e "porcos" relacionada aos já conhecidos "ditadores". Repetiu a dose, com muito mais precisão e repercussão, em seu livro seguinte: 1984, uma alegoria político-científica, onde surgiu o personagem Big Brother. Tratava-se de sua obra-prima; aliás, sua última obra. Orwell terminou de escrever 1984 em 1948; o livro foi publicado no ano seguinte. Aliás, uma curiosidade: o título original deveria ser O último homem livre da Europa", mas na última hora o autor resolveu inverter os números do ano – assim, 1948 virou 1984.

O Livro:

Nessa obra, George Orwell apresenta uma teoria sobre como um grupo bem-organizado pode tomar o poder e controlar o Estado sem jamais ser importunado seriamente. O segredo seria montar um esquema que teria na tirania e no autoritarismo a própria condição de sua existência. Ou seja, os governantes deveriam exercer o terror, a tortura, a vigilância – a maldade – como pré-condição para a perpetuação no poder. O mal pelo mal, como o Darth Vader de Star War; o poder pelo poder, como em Hitler e Stálin.
A sociedade era estruturada na mais completa desagregação social (sem imprensa livre, sindicatos ou associações; até mesmo sem famílias coesas), mas se mantinha coesa pela tirania, a coação e a vigilância. O Estado encontra um modo de conduzir as ações de todos os cidadãos; há regras e imposições até para os pensamentos: o que se pode e o que não se pode pensar. Toda a existência física e mental se curvava a esse regime de poder supremo.

O Big Brother:

O dirigente máximo dessa sociedade era chamado de Grande Irmão (Big Brother, no original em inglês). É o grande tirano, aquele que todos tinham a obrigação de idolatrar, respeitar e obedecer cegamente, como se fosse um pai todo-poderoso, um deus. Ele não tem nome e jamais foi visto em público – era somente um retrato de um homem com enormes bigodes, inspirado na figura de Stálin. Ressalte-se que todos os regimes totalitários promoveram o culto à personalidade do líder máximo: o populismo. Aliás, nas tiranias boa parte do controle é exercido pelo culto à figura do ditador, como ocorreu na União Soviética, na Alemanha, na Itália de Mussolini ou mesmo no Brasil de Getúlio Vargas.
O Big Brother de Orwell foi mais além. O governo instalou câmeras em todas as residências para vigiar os cidadãos, como no programa de TV Big Brother. O escritor batizou essas câmeras de teletelas. Na época, 1948, a televisão comercial nem sequer havia entrado em operação, e as teletelas não passavam de ficção científica. Através delas, o Big Brother poderia tudo ver sem ser visto. Poderia também estar presente em todos os lugares, levando sua imagem e sua mensagem. Ou seja, tinha os três poderes divinos: onividência, onipresença e onipotência. Todos em prol da dominação.

Ódio e alienação:

Para que o Big Brother de Orwell conquistasse a onipotência, o terceiro atributo divino, o ódio pelo próximo (ou por outras formas de organização social) era incitado pelo governo, fomentado e finalmente criado dentro do próprio sistema para dar continuidade e finalidade à subordinação. Em 1984, os cidadãos são obrigados a parar diariamente, na mesma hora, a fim de exercitar os "Cinco Minutos de Ódio". Parece inverossímil. Obra de ficção científica? Não, esses fatos aconteceram e acontecem. Naquela época, por exemplo, a ciência tentava dar veracidade às loucuras propostas por tiranos, como a superioridade da raça ariana defendida por Hitler; ou a inferioridade dos negros e das mulheres perante o homem branco. O assunto é atual, afinal, ainda hoje palestinos e judeus são criados no mesmo princípio do ódio.
Outro ponto importante a ressaltar é a alienação, base da dominação na obra de Orwell. O homem que vivia sob o comando do Big Brother não podia explorar sua mente ou o prazer que o corpo proporciona. A realidade conhecida era a que o Big Brother queria mostrar. Ele também fez algumas concessões ilusórias, baseadas na liberdade vigiada, para aqueles que seguissem com disciplina a ideologia imposta pelo governante. Poucos percebem que essa realidade é construída artificialmente e que fora dela existem inúmeras possibilidades de viver. As pessoas enxergavam o mundo do Big Brother pensando enxergar a verdade absoluta, não sabiam que eram cegas; e, se percebiam pagavam caro por isso.

Questão da privacidade:

O livro 1984 vendeu 10 milhões de exemplares em todo o mundo, 300 mil no Brasil, e se inscreveu como uma das obras mais importantes de todos os tempos. Durante os 44 anos que durou a Guerra Fria, Orwell e seu Big Brother eram estudados pela Ciência Política por conta da questão do totalitarismo. A partir da década de 1990, com o surgimento da internet e a expansão das novas tecnologias de comunicação, a alegoria do Big Brother passou a ser utilizada também para ilustrar uma nova questão em pauta: a privacidade. Começaram a surgir alertas dos especialistas em tecnologia sobre os perigos do monitoramento dos cidadãos proporcionados pelas novas tecnologias e pela internet em especial. Centenas de artigos passaram a acusar Bill Gates, dono da Microsoft, de tentar ser a encarnação do Big Brother fora da ficção.
Na virada do milênio, produtores de TV holandeses criaram um formato de programa baseado nos reality shows, cuja característica principal é o monitoramento de pessoas confinadas numa casa 24 horas por dia, com posterior exposição pública de suas intimidades. Batizado de Big Brother, esse programa já teve versões exibidas em dezenas de países, da Austrália à Turquia. No Brasil, a primeira versão foi exibida entre março e abril de 2002, tornando-se repentinamente o assunto mais comentado do país.
Curioso o capitalismo. Um dos maiores escritores de todos os tempos leva a vida inteira para elaborar uma obra-prima que levanta questões essenciais para os direitos humanos, como a liberdade e a privacidade, e de repente alguém dá um jeitinho de transformar seu alerta político em produto de venda lucrativo. A política de cooptação atual é muito mais intensa que a aplicada pelo Império Romano.

Ditador capitalista:

Está ai um dos únicos equívocos de Orwell: achar que o totalitarismo ganharia a guerra. O neoliberalismo, hoje, domina o mundo com totalidade quase absoluta. Como o Big Brother original, o capitalismo joga com uma realidade cheia de liberdades ilusórias e continua usando da ciência para validar seus atos de tirania e dominação. Em vez do controle total, inclusive do pensamento, basta controlar os principais meios de comunicação. Ao criar novos hábitos de consumo, leva-se os cidadãos a comprar e a instalar espontaneamente todo o aparato tecnológico de vigilância utilizada pelo Big Brother, sem necessidade de repressão.
As teletelas imaginadas por Orwell tornaram-se realidade com outro nome e formato. São os microcomputadores pessoais conectados à internet, com uma parafernália de softwares de vigilância e quebra de privacidade que receberam a denominação elegante de CRM. No contexto atual a dominação é feita com o consentimento dos consumidores "bem-informados". Por escolha, conforto, comodidade e rapidez, o Grande Irmão traz a modernidade para dentro de casa. Nosso sistema capitalista funciona como um ditador invisível, que controla a vida de todos com a "liberdade vigiada", em que as pessoas são induzidas a crer que são livres e que podem fazer suas próprias escolhas.

O pensador francês Michael Foucault, autor de clássicos como Vigiar e punir e Microfísica do poder, fez observações pertinentes ao nosso tema. Em suas teorias a respeito da pós-modernidade, o pleno poder só pode ser exercido com as concessões, da falsa liberdade. Esse controle pode ser feito pela banalização da violência que confina as pessoas dentro do medo, pela estética que padroniza o belo, o "normal"; e por várias outras formas e teias que se articulam para aprisionar o homem dentro de sua própria existência. Escreve Foucault: "Fabricam-se indivíduos submissos, e se constitui sobre eles um sabor em que se pode confiar."

No final acaba mesmo por fical uma ótima dica de Leitura:

1984 (Nineteen Eighty-Four) - de George Orwell.
em edição comemorativa lançado pela Companhia Editora Nacional
preço variando entre R$35,00 a 42,00

e

A revolução dos bichos pela Editora Globo, com preços variando entre R$ 22,00 a 28,00

Max Gehringer ensina. Entre no mundo corporativo sem ter competência

Seguindo a receita dos novos cursinhos preparatórios para o vestibular, que parece ser uma tendência contemporânea, surge com todo o impulso que o modismo costuma trazer, a literatura e consultoria para driblar a acirrada concorrência do mercado de trabalho. Aspirantes a executivos consomem livros e mais livros, assistem palestras e aprendem como os domínios de algumas técnicas podem driblar a verdadeira competência. Para que Estudar física se podemos decorar as respostas das questões mais recorrentes do vestibular?
Como também atuo profissionalmente no mundo corporativo, não posso me abster da análise da literatura da área. Sempre tive uma certa restrição quanto a “best Sellers”; até porque num país com os piores índices de leitura, perdendo inclusive para seus vizinhos na América do Sul fica difícil acreditar em campeões de venda. Exceto aquelas obras consagradas mundialmente.
Recentemente estive lendo algumas obras de Max Gehringer e me causou espanto a maneira como o ex Office boy da Cica aborda questões do mundo corporativo. Na sua obra “comédia corporativa” ele conta uma historinha que se passou na faculdade sobre o Raul e o Pena. O Raul era o aluno insolente, preguiçoso que se apoiava no Pena, que segundo o livro era quase um gênio, o Pena fazia todos os trabalhos, redigia bem, falava com desenvoltura e era peça chave para garantir as boas notas do grupo, enquanto que o Raul, quando questionado qual era sua função dizia: - “Eu apoio o Pena”. Muitos anos depois já no mercado de trabalho o Gênio pena consegue uma vaga numa importante companhia e para sua surpresa descobre que o diretor geral era ninguém menos que o Raul, isso mesmo, aquele mesmo Raul que só tirava notas boas às custas de seus esforços. Segundo o Autor (Max Gehringer), Raul, embora não tivesse competência, “entendia de gente”. Ficou claro para mim a apologia ao truque, macete, puxa saquismo em detrimento da verdadeira competência que o profissional deveria ter. “Não aborde seu chefe no banheiro” outra obra recheada de pérolas, na verdade uma coletânea dos artigos escritos na Você S/A da editora Globo, onde o autor cria situações caricaturadas para formar pano de fundo para seus comentários e considerações equivocadas, partindo de premissas falsas, faz igualmente considerações falsas que não representam o mundo corporativo real.
Depois da incursão nessa literatura barata resolvi ler “As máximas e mínimas da comédia corporativa”, um desmembramento da primeira obra, resgatando e desmembrando mais e mais pérolas na tentativa de vender mais livros.
Em “Big Max – vocabulário corporativo” você vai aprender a usar as palavras e termos do mundo corporativo, causar boa impressão, impacto sem necessariamente saber o que está dizendo.
Como toda literatura feita para vender, as obras de Max devem ser lidas com o senso crítico afiadíssimo, separando o joio do trigo (mais joio do que trigo) então daí é possível extrair alguma coisa substanciosa. Na minha opinião não é uma leitura recomendada para os que ainda não estão familiarizados com o mundo dos negócios por trazer pontos de vistas unilaterais sobre as relações entre chefe e empregado e exemplos e casos que precisam ser relativizados.
Não existe fórmula mágica para o mercado de trabalho e o mundo corporativo, existem sim, competências que são adquiridas com muito estudo, persistência, perseverança e disciplina.