quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

CURSO BÁSICO DE FILOSOFIA (Parte III)

O QUE É FILOSOFIA?
O que vem a ser filosofia?? Recebi vários e-mails com essa pergunta...esse site é para vocês meus amigos (as) internautas, e, é claro, para todos os interessados...
Pare e pense...O que te vem à mente quando escrevo essa palavra?
Mas, será que isso que pensou está correto?
Vamos descobrir?
Bom, a filosofia surgiu há muitos séculos atrás...
Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia por volta do século VI (ou VII) a.C. Por meio de longo processo histórico, surge promovendo a passagem do saber mítico ao pensamento racional, sem, entretanto, romper bruscamente como todos os conhecimentos do passado. Durante muito tempo, os primeiros filósofos gregos compartilhavam de diversas crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a filosofia.
Se considerarmos filosofia a atividade racional voltada à discussão e à explicação intelectualizada das coisas que nos circundam, tem-se o século VI como a data mais provável da origem da filosofia. Nessa época temos a instituição da moeda, do calendário e da escrita alfabética, a florescente navegação, que favoreceu o intenso contato com outras culturas, esses acontecimentos propiciaram o processo de desdobramento do pensamento poético em filosófico.
De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da filosofia grega é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.).
Já datamos o início da filosofia, mas o que é filosofia?
A filosofia é um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Ela é, antes de mais nada, uma prática de vida que procura pensar os acontecimentos além de sua pura aparência. Assim ,ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos; pode pensar a religião; pode pensar a arte; pode pensar o próprio homem em sua vida cotidiana. Até mesmo uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objeto da reflexão filosófica.
A filosofia parte do que existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das possibilidades, faz-nos entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida.
A filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo. Questiona as práticas política, científica, técnica, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta, não indague. E, nesse sentido, a filosofia é "perigosa", "subversiva", pois vira a ordem estabelecida de cabeça para baixo.
Talvez a divulgação da imagem do filósofo como sendo uma pessoa "desligada" do mundo seja exatamente a defesa da sociedade contra o "perigo" que ela representa.
O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, re-descobrindo seus significados mais profundos.
Filósofos diferentes têm posturas diversas com relação a imagem institucional de sabedoria e compreensão.Embora com motivações diferentes, deram a sua importante contribuição para o alargamento das fronteiras.
A filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Não basta saber como funcionam, mas o que significam na ordem geral do mundo humano. A filosofia emite juízos de valor ao julgar cada fato, cada ação em relação ao todo. Assim, filosofar é uma prática que parte da teoria e resulta em outras teorias.
Desse modo, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões diversas, dependendo das premissas de partida e da situação histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será sempre marcado pela reflexão rigorosa, radical e de conjunto.
O conceito de filosofia foi muito bem definido por Gerd A. Bornheim no livro "Os filósofos Pré-socráticos": "...Se compreendermos a Filosofia em um sentido amplo - como concepção da vida e do mundo - , poderemos dizer que sempre houve filosofia. De fato, ela responde a uma exigência da própria natureza humana; o homem, imerso no mistério do real, vive a necessidade de encontrar uma razão de ser para o mundo que o cerca e para os enigmas de sua existência..."
Será que a explicação correspondeu aos seus pensamentos ?
Espero que tenha esclarecido, ou pelo menos, expandido suas idéias...

CURSO BÁSICO DE FILOSOFIA (Parte II)

O QUE É MITO?

O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.c.. Nasceu do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do mito não obedece a lógica nem da verdade empírica, nem da verdade científica. É verdade intuída, que não necessita de provas para ser aceita. É portanto uma intuição compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar-se no mundo.
Normalmente, associa-se, erroneamente, o conceito de mito a: mentira, ilusão, ídolo e lenda. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem vive. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.
Como exemplo temos o mito de Pandora, que, enviada aos homens, abre por curiosidade a caixa onde saem todos os males. Pandora consegue fechá-la a tempo de reter a esperança, única forma do homem não sucumbir às dores e aos sofrimentos da vida. Assim, essa narração mítica explica a origem do males, sendo esta a única maneira de compreender tal realidade.
Não podemos afirmar também que o mito é uma ilusão, pois sua história tem uma racionalidade, mesmo que não tenha uma lógica, por trabalhar com a fantasia. Devemos diferenciar mito e ídolo, pois mesmo existindo uma relação entre eles, o mito é muito "maior" que o ídolo ( objeto de paixão, veneração).
Como exemplo temos a história do Super-Homem. Ele representa um ídolo, pois é venerado. Porém, sua história é mítica, devido ao fato de representar todos os momentos de fracassos do ser humano na pele de Clark Kent, e por outro lado, como Super-Homem assume a capacidade de ter sucesso pleno em todas as áreas. Assim, o Super-Homem é um ídolo, porém sua história é mítica, sendo a única forma de representar a incapacidade do pleno sucesso humano, sem frustrações; pois o único que conseguiria tal feito seria um super herói, e já que esse não existe, os seres humanos ficam mais conformados com suas limitações. E "criam" o mito do Super- Homem para poderem "falsamente" confortar-se com sua realidade.
O mito é muito confundido com o conceito de lenda, porém esta não tem compromisso nenhum com a realidade, são meras histórias sobrenaturais, como é o caso da mula sem cabeça e do saci pererê. O mito não é exclusividade de povos primitivos, nem de civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente indissociável da maneira humana de compreender a realidade.
O mito hoje
Mas, e quanto aos nossos dias, os mitos são diferentes?
O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é só razão, mas também afetividade e emoção. Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. O mito recuperado do cotidiano do homem contemporâneo, não se apresenta com a abrangência que se fazia sentir no homem primitivo. Os mitos modernos não abrangem mais a totalidade do real como ocorria nos mitos gregos, romanos ou indígenas. Podemos escolher um mito da sensualidade, outro da maternidade, sem que tenham de ser coerentes entre si. Os super-heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes ( Rambo e outros), passam a encarnar o Bem e a Justiça, assumindo a nossa proteção imaginária.
A própria ciência pode virar um mito, quando somos levados a acreditar que ela é feita à margem da sociedade e de seus interesses, que mantém total objetividade e que é neutra. A nossa forma de compreensão do mundo dessacraliza o pensamento e a ação ( isto é, retira dele o caráter de sobrenaturalidade), fazendo surgir a filosofia, a ciência e a religião.
Como mito e razão habitam o mesmo mundo, o pensamento reflexivo pode rejeitar alguns mitos, principalmente os que vinculam valores destrutivos ou que levam à desumanização da sociedade. Cabe a cada um de nós escolher quais serão nossos modelos de vida.
A ruptura com a mitologia - cosmologia
A filosofia retomando as questões postas pelo mito, é uma explicação racional da origem e da ordem do mundo. A filosofia nasce como racionalização e laicização (influências religiosas) da narrativa mítica, superando-a e deixando-a como passado poético e imaginário. A origem e a ordem do mundo são, doravante, naturais. Aquilo que, no mito, eram seres divinos (Urano, Gaia, Ponto) tornam-se realidades concretas e naturais: céu, terra, mar. Aquilo que no mito, aparecia como geração divina do tempo primordial surge, na filosofia, como geração natural dos elementos naturais. No início da filosofia, tais elementos ainda são forças divinas. Não são antropomórficas, mas são divinas, isto é, superiores à natureza gerada por eles e superiores aos homens que os conhecem pela razão; divinas porque eternas ou imortais, porque dotadas do poder absoluto de criação e porque reguladoras de toda a Natureza.
Podemos, dentro de tal contexto, distinguir, teogonia, cosmogonia e cosmologia.
A teogonia narra, por meio das relações sexuais entre os deuses, o nascimento de todos os deuses, titãs, heróis, homens e coisas do mundo natural.
A cosmogonia narra a geração da ordem do mundo pela ação e pelas relações sexuais entre forças vitais que são entidades concretas e divinas. Ambas, teogonia e cosmogonia, são genealogias, são gênesis, nascimento, descendência, reunião de todos os seres criados, ligados por laços de parentescos.
A cosmologia – forma inicial da filosofia nascente - é a explicação da ordem do mundo, do universo, pela determinação de um princípio originário e racional que é a origem e causa das coisas e de sua ordenação.
A filosofia, ao nascer como cosmologia, procura ser a palavra racional, a explicação racional, a fundamentação pelo discurso e pelo pensamento da origem e ordem do mundo, isto é, do todo da realidade, do ser.
Os primeiros filósofos não pretenderam explicar apenas a origem das coisas e da ordem do mundo, mas também e sobretudo as causas das mudanças e repetições, das diferenças e semelhanças entre as coisas, seu surgimento, suas modificações e transformações e seu desaparecimento ou corrupção e morte.
De modo sumário, podemos apresentar os traços principais da atitude filosófica nascente:
1) tendência a racionalidade: a razão é tomada como critério de verdade, acima das limitações da experiência imediata e da fantasia mítica
2) busca de respostas concludentes: colocado um problema, sua solução é sempre subentendida à discussão e à análise crítica, o discurso deve comprovar , demonstrar e garantir o que é dito
3) ausência de explicações preestabelecidas e, portanto, exigência de investigação para responder os problemas
4) tendência à generalização, isto é, oferecer explicações de alcance geral percebendo, sob a variação e multiplicidade as coisas e fatos singulares.


Referências bibliográficas:
MEUNIER, Mário. Nova Mitologia Clássica. -: Ibrasa,1976.
KURY, Mário da G. Dicionário de Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.

CURSO BÁSICO DE FILOSOFIA (Parte I)

A História da Grécia.
Pré-Homérico
séculos XX-XII a.C.

Sob o ponto de vista geográfico , podemos dividir o território grego em três regiões :
Grécia Continental , Grécia Peninsular e Grécia Insular .
O relevo grego é montanhoso e dificulta as comunicações internas.
O recortamento do litoral e a presença de ilhas facilitam a comunicação com o exterior .
Os primeiros povos indo-europeus a chegar á Grécia foram os aqueus , que dominaram os primitivos pelágios ,de origem desconhecida. Os aqueus fundaram diversas cidades , como Micenas a mais famosa . Os habitantes de Micenas entraram em contato com a ilha de Creta , surgindo a cultura creto-micênica. Dominaram os cretenses , destruindo Cnossos em 1400 a . C . Avançaram em direção a Tróia , na entrada do Mar Negro .
Os jônios e os eólios foram o segundo grupo a penetrar na Grécia . Integraram-se com os primeiros ocupantes , ampliando a população do mundo Grego. Os últimos a chegar foram os Dórios , por volta do século XII. Os dórios destruiram a civilização creto-micênica , provocando a Diáspora interna (origem dos Genos) e a externa (colonização) .

Período Homérico
séculos XII-VIII a . C

A Ilíada e a Odisséia – obras atribuídas a Homero- são fundamentais para o estudo do Período Homérico.
A Ilíada trata da destruição de Tróia pelos Gregos . Sua figura central é Aquiles .
A odisséia narra as viagens de Ulisses de volta ao seu Reino de Ítaca .
A célula básica da sociedade grega eram os genos .
Todos os descendentes de um mesmo antepassado viviam num mesmo lar. Este grupo de pessoas gozava de autonomia , possuía o seu chefe (pater-famílias ), o seu culto aos antepassados sua administração e sua própria justiça , baseada no costume .
A independência política estava baseada na independência econômica .
A economia baseava-se na administração da casa e a família procurava ser auto- suficiente . Era uma economia doméstica fechada .A propriedade era coletiva e o trabalho também . A desintegração desse sistema gentílico foi provocada por um problema interno : o crescimento da população não acompanhou o crescimento da produção .
O descontentamento ocasionado pela baixa da produção levou ao individualismo e ao afrouxamento dos laços familiares . A repartição dos bens e imóveis completou a desintegração dos Genos .
A desigualdade social , com o surgimento de diversas camadas sociais , foi umas das conseqüências mais direta da desintegração dos genos . Surgiram assim os grandes , os pequenos e médios proprietários ; muitos indivíduos ficaram sem terra , sendo obrigados a trabalhar por um salário miserável ou a mendigar .
O desaparecimento da unidade familiar criou condições para a formação de uma nova unidade política , através da união de tribos e vilarejos . Essa nova união deu origem a Cidade- Estado .
A Diáspora grega foi a colonização grega .
Dentre os fatores que que estimularam a colonização podemos citar :
a marginalização social devido a desintegração dos genos;
marginalização política das classes inferiores nas cidades gregas ;
crescimento populacional ;
diminuição da disponibilidade de terra ;
progresso técnico da navegação e espírito de aventura .
Os colonos mantinham com a metrópole um relacionamento cultural e econômico com as populações nativas , as relações dependiam de circunstâncias , podendo orientar-se pela força , pela persuasão ou pela diplomacia .

Perído Arcaico
séculos VIII-VI a . C

PERÍODO ARCAICO : ESPARTA
Esparta foi uma das primeiras Cidades –Estado a surgir na Grécia.
Em termos sociais Esparta apresentava 3 camadas básicas: os dórios, aqueus e os escravos. Os dórios eram a camada social dominante, eram guerreiros por excelência e recebiam uma educação militar especial. Os aqueus, habitantes da periferia, eram chamados de periecos; suas condições materiais eram boas, mas não tinham direitos políticos. Os escravos eram denominados hilotas. Não eram protegidos pela lei e a sua condição humana era uma das mais miseráveis do mundo antigo .
Na constituição espartana o poder legislativo era exercido pela Assembléia que tinha plenos poderes nas guerras e práticas religiosas. Os Reis executavam as determinações da Assembléia.
Nesse período houve uma guerra travada na Messênia, em duas etapas, provocando mudanças sensíveis na estrutura econômica, social e política de Esparta, por causa do grande número de escravos, que passaram a constituir uma ameaça permanente para os espartiatas. Uma das mudanças foi a divisão nas três camadas sociais básicas: dórios, aqueus e hilotas.
A constituição foi modificada. O poder passou para os gerontes, membros do conselho. Estes consultavam formalmente a Assembléia . O executivo era exercido pelos Reis e pelos éforos ( vigilantes do rei ).
A educação espartana visava exclusivamente o interesse do Estado. Limitava o espiríto crítico através do laconismo ( falar tudo de maneira sintética ) e da xenofobia (aversão a estrangeiros ).Para realizar a educação o Estado selecionava os mais fortes e os mais hábeis. Até os 7 anos as crianças ficavam com as mães; dos 7 aos 12 meninos e meninas recebiam educação cívica; dos 12 aos 17 anos os rapazes recebiam treinamento militar; submetendo-se no fim a provas da kripitia, que lhes permitia tornarem–se cidadãos.
O assassinato sistemático de escravos limitava o seu crescimento, afastando assim os perigos de revoltas. Mas o sistema limitava também o crescimento dos espartíatas. A mulher espartana era muito livre, dedicada ao Estado; a sua função era procriar os filhos e indispensáveis a supremacia do espartíatas.

O PERÍODO ARCAICO : ATENAS

Atenas , tornou-se capital da nova polis.
Era um núcleo situado na planície, a poucos quilômetros do mar e protegido por colinas . Dentre essas colinas se destacava um maciço rochoso de 100 metros de altura, que servia de ponto de refúgio e sobre o qual foi construída a Acrópole, ao mesmo tempo santuário e fortaleza.
No Período Arcaico, as três camadas sociais de Atenas eram formadas pelos eupátridas, georgoi e demiurgos. Os eupátridas eram os grandes proprietários que monopolizavam o poder político. Os georgoi eram os pequenos proprietários de terras pouco férteis das montanhas. Não podendo pagar as dívidas, alguns perdiam as terras tornando-se rendeiros, outros transformavam-se em marginais. Demiurgos eram os indivíduos que ocupavam uma posição intermediária; os artífices e os artesãos.

A EVOLUÇÃO POLÍTICA

A colonização provocada pela primeira Diáspora tinha ampliado os horizontes do mundo grego; o contato dos colonos com a metrópole era cada vez mais intenso; e o mar Egeu se transformou num ativo centro de comércio. Apesar de não ter participado ativamente da colonização, Atenas foi beneficiada devido a sua estratégica posição geográfica, transformando-se num centro distribuidor no meio do Egeu. Como resultado, os comerciantes e artesãos tornaram-se cada vez mais numerosos e iniciaram um processo de ascensão na escala social. E em breve eles começariam a fazer oposição a oligarquia dos eupátridas. Assim , as classes fortalecidas pelo comércio desejavam participar da vida política de Atenas, monopolizadas pelas aristocracias. As camadas mais pobres exigiam a repartição das terras e a limitação do poder aristocrático. Houve uma reforma iniciada pelos legisladores numa tentativa de solução pacífica para o conflito social e político.Dracón codificou a lei, até então oral. Sólon estabeleceu um critério econômico de participação política e aboliu a escravidão por dívida.
Os tiranos apareceram quando as tensões sociais se tornaram mais agudas; eles se aproveitaram das tensões sociais para tomar o poder. Os tiranos governavam em nome das camadas populares. Mas, foi Clístenes que realizou as reformas que implantaram a democracia em Atenas. O direito a participação política foi estendida a todos os cidadãos; a participação tornou-se direta, segundo o critério do sorteio, que tomava por base as 10 tribos políticas. O governo passou a ser exercido então por três poderes : legislativo (conselho e Assembléia ), judiciário e executivo. Foi instituído também o ostracismo, o exílio dos maus cidadãos .

Período Clássico
séculos V e IV a . C

Foi o período das hegemonias e imperialismos no mundo grego .
Começou com uma ofensiva contra os bárbaros persas e só terminou numa guerra fratricida entre os próprios gregos . Os confrontos armados demarcaram a sucessão de uma hegemonia sobre a outra .
A primeira potência dominante foi Atenas , seguida por Esparta e , finalmente , por Tebas .
As guerras pérsicas , projetaram a hegemonia ateniense , essa hegemonia durou até a guerra de Peloponeso , quando começou a hegemonia Espartana .
Seguiu-se um curto período de hegemonia Tebana , até que as guerras enfraqueceram as cidades gregas a tal ponto que nenhuma delas conseguia assumir a liderança do mundo grego .
Esta situação permitiu a intervenção de Felipe da Macedônia .
A guerra de Peloponeso , durou 27 anos e provocou grande enfraquecimento dos Estados em luta .
Atingida pela peste e num esforço desesperado , Atenas tentou uma expedição a Siracusa , perdendo milhares de barcos e homens .
Terminada a guerra de Peloponeso , começou a hegemonia de Esparta , que passou a dominar seus antigos aliados como fazia Atenas .

A CULTURA GREGA

A religião grega não tinha dogmas e o culto podia ser praticado da maneira que os fiéis bem entendessem .Nas orações os gregos pediam ajuda para as atividades práticas e não a salvação da alma .
O número de Deuses era grande; havia bastante semelhança entre deuses e heróis.
A religião grega era antropomórfica, isto é , os deuses tinham forma, defeitos e virtudes humanos ,mas eram imortais .
A origem dos deuses é explicada pelo mito de Cronos que devorava seus filhos. Zeus foi salvo por sua mãe Rea e conseguiu recuperar todos os seus irmãos que, juntamente com seus filhos , formaram o Olimpo .
A criação do homem é explicada pelo mito de Prometeu ; este roubou o fogo de Zeus e criou os homens ; Zeus quis destruí-los com um dilúvio ,mas Deucalião escapou e recriou a humanidade.
Os Deuses habitavam o monte Olimpo , onde se alimentavam de ambrosia , o manjar dos deuses .
Os deuses mais velhos , filhos de Cronos eram : Héstia , Demeter , Hera , Poseidon , Hades e Zeus .
Os deuses mais novos filhos de Zeus , eram : Ares , Afrodite , Apolo , Artemis Hefaístos , Atena , Hermes e Dionísio , o último deus a entrar no Olimpo.
Os grandes Heróis destacados por seus feitos eram : Perseu, Jasão, Teseu , Édipo e Hércules.
As lendas que contam as aventuras e dos deuses e dos heróis são chamados mitos . E o conjunto de mitos forma a mitologia .

O CULTO

O culto era realizado no jazigo da família , no túmulo dos heróis ou no templo , a moradia dos deuses . A prática do culto consistia em orações , libações( derramar vinho , óleo , azeite como oferenda para alguma divindade ) e sacrifícios . o culto da família era tradicional . O pai exercia as funções de sacerdote , realizando o culto em homenagem a Era e a Zeus e mantendo sempre acesso o fogo sagrado .
O nascimento , o casamento e o funeral eram acompanhados de cerimônias sagradas , das quais participavam toda a família . Anualmente havia festas de homenagem aos mortos .
A vida pública das cidade sofria grande influência da religião . Todas as cerimônias públicas eram precedidas por práticas religiosas .
Cada cidade tinha sua festa religiosa .
Em Atenas celebrava-se o culto de Dionísio , acontecimento muito apreciado pela população camponesa. Já as Grandes Dionísicas eram as celebrações urbanas , quando se realizavam os famosos concursos entre os autores dramáticos que deram origem as grandes obras do teatro ateniense .
As Grandes Panatenéias , em honra da deusa Atenas , eram celebradas de 4 em 4 anos , com concurso de música e canto , corridas de cavalo e outras competições esportivas ; finalizavam com uma procissão que percorria a via sagrada , para oferecer á deusa Atena um manto luxuoso . Era a festa mais importante da Cidade-Estado de Atenas .

OS GRANDES SANTUÁRIOS

Havia uma certa unidade religiosa entre os gregos , adoravam os mesmos grandes deuses . Os santuários mais famosos – Epidauro , Delos , Olimpia e Delfos –recebiam multidões de todas as partes da Grécia . Desejosos de conhecer o futuro , os gregos consultavam os deuses nos oráculos . Em Delfos , o deus Apolo falava pela boca da pitonisa , que entrava em transe depois de aspirar certos odores que saiam do meio das rochas .

OS GRANDES JOGOS

Para homenagear os deuses dos santuários , realizavam-se jogos pan- helênicos (que abrange todo o mundo grego ), em número de quatro : ístimicos , neméios , píticos e olímpicos . Os jogos olímpicos eram os mais famosos . Tinham lugar em Olímpia em homenagem a Zeus ; depois de 776 a . C . , passaram a realizar-se de quatro em quatro anos . Durante o período de jogos era decretada uma paz sagra da sendo proibido atacar os peregrinos . Os atletas juravam lealdade entre si , disputando em seguida seis provas: corrida , luta livre , pugilismo , lançamento de dardo , lançamento de disco e corrida de carros .Os vencedores recebiam uma coroa de louros e o privilégio de serem cantados pelos poetas . As mulheres não podiam participar . Os atletas homens em geral não usavam roupa .

OS MISTÉRIOS

A preocupação dos gregos com a vida após a morte explica a grande difusão do orfismo e dos mistérios . Os mistérios eram cerimônias que permitiam entrar em contato coma divindade e conseguir a felicidade eterna . As pessoas mais pobres também podiam entrar nos mistérios .Todos deviam guardar segredo da iniciação recebida.

O TEATRO E FILOSOFIA

Do ponto de vista cultural , Atenas não era superada por nenhuma outra cidade grega . Lá viveram os maiores pensadores e artistas do mundo grego ; e alguns deles da própria humanidade . As atividades teatrais se desenvolveram sobretudo com o culto de Dioniso , durante os concursos que se realizavam em sua homenagem . Cada participante concorria com três peças . A encenação das peças era feita exclusivamente por autores masculinos que usavam máscara e representavam também os personagens femininos .
Os maiores poetas trágicos foram :Ésquilo , que exultou a glória de Atenas e dos deuses justiceiros, Sófocles : suas obras mostram heróis que lutam contra as armadilhas do destino e Eurípides : mais preocupado com os problemas do homem .
O comediógrafo mais importante foi Aristófanes que procurou satirizar os costumes e as novidades da época .
A filosofia grega se divide em antes de Sócrates e depois de Sócrates .
os maiores filósofos gregos foram : Sócrates , Platão e Aristóteles .
O grande poeta grego foi Pindaro , célebre pelas odes aos atletas que participavam dos jogos Olímpicos .

A ARTE GREGA

A arte grega estava profundamente ligada a religião e atingiu seu ponto máximo em Atenas . Havia harmonia simplicidade e equilíbrio e uma decoração que perfeitamente adaptada ao conjunto constituíam as marcas da arte grega . Os trabalhos tinham caráter coletivo sendo construídos em ateliês . Um dos mais belos monumentos construídos pelos gregos foi a Acrópole de Atenas . No trabalho dos ceramistas , também havia perfeição com perfeito domínio da técnica de escultura com cenas expressivas de animais e agrupamento de pessoas . Os templos eram construídos com blocos de pedra talhada , de tal modo ajustados que dispensavam o uso de argamassa . Os templos eram a principal manifestação da arquitetura grega – obedeciam a três estilos : dórico , jônico e coríntio . O legado cultural dos gregos para a humanidade abrange todos os setores da vida humana . Da filosofia ao teatro grego que até hoje vive com suas tragédias cheias de vida .
Também a ciência alcançou grande desenvolvimento entre os gregos : a matemática de Euclides e os teoremas de Tales ou Arquimedes foram incorporados definitivamente ao patrimônio cultural da humanidade .
O conhecimento do corpo humano recebeu grande impulso com Hipócrates .
O regime democrático grego que funcionou com perfeição em Atenas serviu de exemplo para todos os povos . Os gregos também legaram á humanidade o ideal esportivo , que eles desenvolveram nos jogos pan- helênicos , com seus concursos , sobretudo nos jogos olímpicos . Apenas no campo da técnica a contribuição pode ser considerada modesta . Nesse setor , destacaram-se a cultura de vinha da oliveira , da construção naval e na arte da navegação .

CURIOSIDADES

Um terço da população grega morava em Atenas .
Brincar de ioiô , gangorra e saltar carniça era comum entre as crianças da Grécia Antiga .
Para os gregos Terça-feira é dia de azar.
A Grécia Antiga era formada por Estados separados , cada um centrado em torno de uma cidade .
As duas maiores cidades foram Atenas e Esparta .
Em todas haviam casas, prédios do governo , templos e uma praça chamada de ágora , onde as pessoas se encontravam e faziam compras .
No campo os agricultores plantavam cevada para fazer pão e mingau , azeitonas para fazer azeite e uvas para fazer vinho . Também criavam cabras , ovelhas e abelhas .
Os pobres moravam em casas simples . Os ricos tinham casas enormes , com os aposentos em volta de um pátio . Havia cozinha , banheiro com encanamento e quartos separados para os homens , as mulheres e os escravos .
Os rapazes ricos de Atenas iam para a escola pela manhã e á tarde faziam ginástica. As moças ficavam em casa aprendendo a fiar e a tecer .
As oliveiras eram consideradas sagradas pelos gregos antigos , quem cortasse uma delas poderia ser condenado a morte .
Os gregos cozinhavam com o azeite , usavam-no nas lamparinas e até tomavam banho nele . A moeda da Grécia Antiga era o Talento .

HOMERO como educador

Os mitos gregos, recolhidos pela tradição, recebem forma poética e são transmitidos oralmente pelos cantores ambulantes conhecidos como aedos e rapsodos, que os recitam de cor em praça pública.
Dentre eles, destaca-se Homero, provável autor das epopéias Ilíada e Odisséia. A primeira trata da Guerra de tróia e a outra trata do retorno de Ulisses a Ítaca, após a Guerra de Tróia. Não é muito seguro que Homero tenha realmente existido, e pelo estilo dos dois poemas alguns estudiosos julgam que são obras de autores diversos, de diferentes épocas.
Hesíodo, outro poeta que teria vivido por volta do final do século VIII e princípios do VII a.C. produz uma obra com característica já voltada para a época que se inicia, ou seja, a busca da individualidade. Ainda assim, predomina a crença nos mitos.
Na época da aristocracia guerreira, descrita sobretudo nas epopéias de Homero , a educação visa à formação cortês do nobre.
A criança nobre permanece em casa até os 7 anos, quando é enviada aos palácios de outros nobres a fim de aprender, como escudeiro, o ideal cavalheiresco. Também são contratados preceptores, que dão uma formação integral baseada no afeto e no exemplo.
Para os homens gregos as crianças eram educadas para proferir palavras e realizar ações, isto é, para participar da assembléia dos nobres e atuar nas guerras.
No período arcaico, que se segue nos tempos homéricos, e também na época clássica, continua a prevalecer a influência cultural das epopéias na educação. São elas que relatam as ações dos deuses e transmitem os costumes, a língua, os valores éticos e estéticos. Durante anos figuras divinas serviram de modelo de excelência moral e física para jovens gregos.
De início os poemas são transmitidos oralmente e, mesmo com o advento da escrita, ainda são recitados de cor em praça pública, e seus textos oferecem os temas básicos de toda educação escolar.

Referências:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna, 1992.